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POESIA: UMA ARTE CAMALEÃO

“E poesia serve para alguma coisa?” Aposto que foi isso que você pensou no momento em que leu o título. Infelizmente, quase todo mundo tem opinião semelhante. Foi-se o tempo em que as pessoas paravam para ler poesias ou ouvir um bom declamador. A causa disso é que outras artes foram tomando o lugar da […]

Blog - POESIA UMA ARTE CAMALEÃO

“E poesia serve para alguma coisa?” Aposto que foi isso que você pensou no momento em que leu o título. Infelizmente, quase todo mundo tem opinião semelhante. Foi-se o tempo em que as pessoas paravam para ler poesias ou ouvir um bom declamador. A causa disso é que outras artes foram tomando o lugar da poesia até ela quase desaparecer. Poesia tornou-se “coisa de velho” ou de criancinha. Será? Você tem certeza? E se eu disser que A POESIA SEMPRE EXISTIU E SEMPRE EXISTIRÁ, pois, na verdade, ela nunca saiu de cena, apenas trocou de roupa, você acreditaria?

A poesia nada mais é do que “ideias condensadas” em pequenos textos. Ou seja, aquilo que se diria com muitas palavras sendo dito em poucas. Acompanhe o raciocínio: uma PALAVRA pode dizer mais do que uma FRASE; uma FRASE pode expressar mais do que um LONGO TEXTO; UMA PÁGINA pode dizer mais do que DEZ PÁGINAS; e assim por diante. Poesia, então, é um texto enxuto… o essencial… o que interessa. Quando lemos uma pequena poesia, na verdade, estaremos lendo o resumo de um longo texto que não foi escrito.

Poesia é diferente dos livros que, só depois de muitas páginas lidas, concluímos se gostamos ou não do conteúdo. POESIA VAI DIRETO AO ASSUNTO, diz logo a que veio. Tal qual a imagem que vale mais do que mil palavras, a POESIA NÃO ROUBA O NOSSO TEMPO e ainda expressa rapidamente, em poucas palavras, o que é preciso entender, e pronto.

A poesia é como o camaleão, que se adapta a qualquer ambiente. Ela é capaz de expressar todos os assuntos, adapta-se a qualquer arte, faz rir e chorar, penetra a alma, encanta os ouvidos, arrepia a pele, arranca suspiros, volta no tempo e arrisca-se no futuro… sem medo de ser feliz.

A poesia está presente na música, na peça de teatro, nas redes sociais, nas conversas. O que são as frases abreviadas das nossas trocas de mensagens virtuais? Poesia. O que são os sites que condensam conhecimentos que estavam no interior de volumosas enciclopédias? Poesia. O que são os memes? Poesia. O que é a publicidade? Poesia. O que são os versículos bíblicos? Poesia. No mais contemporâneo conceito de poesia: com ou sem rima e/ou métrica, de todos os tamanhos, e “dizendo muito” por meio de poucas palavras. Só para constar, é claro que existe muita poesia ruim. Assim como existe livro ruim, imagem ruim, música ruim, e texto ruim. Qualquer arte é “assim”: tem autor bom e autor “ruim”. Olha aí, já deu até poesia, viu?

Por outro lado, aviso aos navegantes que POESIA É COISA PARA QUEM GOSTA DE PENSAR, além do que, é preciso ter conhecimento prévio para ser capaz de entender todo o conteúdo. Quem não possuir conhecimento anterior de assuntos tratados, por exemplo, nos memes, está fadado a não os compreender de fato.

Entender poesia é como compreender a Bíblia: só quem tem o coração aberto pode apreender seus poéticos versículos; só quem tem o espírito desenvolvido consegue perceber a profundidade dos seus ensinos; só quem tem a alma sensível pode entender seu conteúdo; só quem lê com fé é capaz de conhecer o seu Autor, que está por trás de escritores inspirados pelo Espírito Santo.

Jesus foi um grande poeta e declamador. Ele disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém chega ao Pai, a não ser por mim. […] Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor” (João 14.6; 15.1). Estes são alguns dos seus versos mais lindos, palavras eternas que continuam falando fundo ao coração de adultos e de crianças. Tanto, que, certa vez, Jesus declamou que, para entrar no Reino de Deus, os adultos deveriam ser semelhantes aos pequeninos: puros, simples, verdadeiros, objetivos, e libertos dos relativismos de textos longos que tentam decifrar relações, justificar pecados, emular maldades, ou expressar opiniões desequilibradas.

Criança apenas recita: “Toma aqui, Jesus, cinco pães e dois peixinhos”, e sorri feliz. E dessas poucas palavras, desse pequeno verso, Jesus multiplica os pães, multiplica os peixes, multiplica as histórias, multiplica os ensinos, e multiplica a vida. Ele é o pão da vida! Poesia serve para isso: para nos alimentar a alma, enriquecer a mente e fortalecer o espírito. Deus salve a poesia e os poetas!

 

 

ATILANO MURADAS é pastor, jornalista, teólogo, escritor, compositor e palestrante. Possui 11 CDs gravados e 5 livros publicados. Recebeu o Prêmio Areté pelo livro “A música dentro e fora da Igreja” (Editora Vida). É articulista de “Cristianismo pós-pandemia” (Editora Vida) e participou como comentarista da Bíblia Brasileira de Estudos (Editora Hagnos). Morou por sete anos nos EUA, onde foi Secretário da Associação Brasileira de Imprensa Internacional (ABIInter) e pastor-titular da Brazilian Presbyterian Church, em Houston, no Texas. É autor de vários musicais e articulista de periódicos no Brasil e no exterior. Casado com a odontopediatra e pedagoga Isildinha Muradas, tem dois filhos, Atilano Júnior e Asaph Muradas, respectivamente, casados com Michelle e Ana Rute, e, mais recentemente, um neto, Pedro Muradas. Contato: atilanomuradasneto@gmail.com / (31) 98224-3141 (WhatsApp).

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