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PANDEMIA E PROFECIA

Emitir opinião sobre uma pandemia e a ação de Deus é algo sempre difícil. Corremos o risco de cair no precipício. Como dizia um amigo: “O tempo passa, mas as palavras não”. É muito fácil ser profeta do passado: apontar processos prévios ou até mesmo revelações que “anteveriam” o modo operante de Deus. O que […]

Blog - Profetas do passado e revelações do futuro

Emitir opinião sobre uma pandemia e a ação de Deus é algo sempre difícil. Corremos o risco de cair no precipício. Como dizia um amigo: “O tempo passa, mas as palavras não”.

É muito fácil ser profeta do passado: apontar processos prévios ou até mesmo revelações que “anteveriam” o modo operante de Deus. O que torna isso complexo é que para nós o que basta são as necessidades do tempo presente. A morte, a crise financeira e os problemas psiquiátricos da pandemia nos trazem necessidades espirituais e emocionais urgentes. Isso não satisfaz o profeta do passado.

Entretanto, ao buscar uma resposta para o futuro também corremos riscos futuristas: respostas rasas ou superficiais sobre algo que não entendemos, prognósticos de como será a igreja, videntes que já querem determinar como será o “novo normal” e até mesmo uma paranoia escatológica em que cristãos sofrem absurdamente com nuvens de gafanhotos no Rio Grande do Sul.

Jesus, em Mateus 6.34, traz uma grande lição para o nosso tempo: a necessidade de viver a liturgia do presente – “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal”. Essa liturgia não é uma negação do problema, tampouco a impossibilidade de sofrer momentos de ansiedade. É algo além: tendo o caráter de Deus nos revelado pela graça, passamos a ter uma confiança cega em que as respostas para dilemas complexos vão aos poucos se tornando desnecessárias. A inquietude vai, aos poucos, no caminho do discípulo, sendo trocada pela certeza de que os dias ruins sempre estiveram e estão no controle do Senhor.

Deus não joga dados. A liturgia do presente nos chama a tentar trazer ordem no caos. A trazer bondade, amor, justiça e solidariedade. Não nos deixa parados, envolvidos por nossa angústia, mas nos move a trazer o Reino de Deus à quem está ao nosso redor. Essa é nossa maior missão na pandemia. Entender os fatos? Deixo com Deus. É tempo de solidariedade. O resto vem depois.

texto: Dr. Ismael Sobrinho ( autor do livro Depressão publicado pela Editora Vida – @ismael.sobrinho )

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